sábado, 30 de janeiro de 2010

A Gravidez

Quanto há de morrer com o poeta.
Iluminam-se leitores com suas obras,
mas não percebem o quanto este ocultou.
O que há de residir em pequenos poemas,
Em simples obras,
Sendo que o coração deste há de ser eternamente tenso.
Quantas obras se perdem no caminhar pela rua,
ou na leitura de um bom livro,
num bom filme,
num certo momento.
Tudo onde não haja onde marcar ou à quem comentar.
Mesmo que depois de escrito estes morram sem ninguem ler,
a missão do poeta fora feita.
Mundializar o Espirito.

Quanto de mim se perde em minhas palavras.
Apagando pensamentos ao transporta-los pro papel.
A mente que reune os fatos em forma linear, ou não,
Agora declina na postagem de seu raciocinio.
O ódio se consome por si só.
O amor acalma-se.
Talvez tudo seja necessário para a sua resolução no fora
Pois o poeta não há de suportar a si mesmo.
Ninguem suporta a si ou ao mundo.
Assim, debruçam-se uns aos outros.
Outros, que não mais confiam no seu externo,
Fazem suas criações e nelas se apoiam,
Então, o que cria o suporte conhece sua capacidade,
Seu tempo de sustentação e acolhimento.
Mesmo que por fim,
A criação acabe perdida, esquecida ou nunca chegue a ser conhecida à todo o resto.
A arte É por si só.
Para o alívio de quem cria e
Quando há, deleite do expectador.

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