quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pérola de GuangZhou

Entidade do Olimpo
Não poderia deixar de eternizá-la.
Condicioná-la em minhas palavras
para talvez nunca ler.
Não importa.
Externá-la.
Assim como está agora.
Fonte e fruto do meu desejar.
Sei falar e pensar em ti n'outra língua.
N'outra forma de ser.
Lamentável não haver palavras nesta.
A comunicação se faz no silêncio.
Nos olhares adestrados à linguagens diferentes;
Nas línguas que se tocam.
Os idiomas refletem e conduzem o ser e o pensar.
Separam e unem.
Mas o estar suprime as identidades e as recria.
O viver traz à memória e ao cotidiano o gostar.
O pertencer.
Dizia-me quão diferentes éramos.
Dizia-lhe que éramos um casal.
AS crenças se inverteram.
Pereceu.
No silêncio.
Não mais no de nosso estar,
mas no do vazio de minha vida distante.
Dizia-me: Antigo
Dizia-se safada e sozinha.
Dava-nos vivência.
E o futuro?
Era pensado no não-pensar dito.
Como acreditar em suas palavras?
Como não o fazer para com seu olhar?
Dizia-me ferocidades e amava-me docemente
Desencantava na fala para desabrochar no corpo.
Na cama.
E nesta, quando falava, eram indagações do futuro
Estremecia e talvez respondia, não sei, eram palavras
Aprendi a viver como ela e ela como eu.
Queria frases,
certezas,
planos,
promessas.
Eu,
apenas estar e sentir.
Não que nos mantivéssemos firmes assim,
Invertíamos e misturávamos,
como nossos corpos o faziam nas longas noites de vizinhança partilhada,
ou nas últimas manhãs e tardes.
Disse que lhe amava,
E de alguma forma ainda a amo.
Amar nunca me pesou.
Sempre soube que seria efêmero,
e que eu deixaria assim ser.
Nem tanto por ela assim dizer no princípio,
quando eu ainda acreditava em suas palavras.
Embora me desesperasse por momentos em que pensava nisso.
Mas meu interior,
e suas palavras finais,
ajudaram-me a esquecer
e deixar.
Por fim,
voltei a querer acreditar em suas palavras como fiz no início.
Triste o descuido e imprudência sobre seu doar.
Seu falar.
Que como o meu no intervalo de nosso estar
Ela disse que me amava.
Nunca disse a ninguém.
Nem a progenitores e o imensa e ocultamente amado irmão.
Não traí-lhe as palavras.
A amei também.
Apenas no meu jeito antigo e cansado de ser.

E qual fora o peso de dizer-me isso?
Não cabe a mim saber,
somente materializar o dito nas lembranças daquele momento.
Talvez assim possa tê-las vivido.
Desejo que fique bem.
E que a ostra não se feche.
Fortemente.
Ou então se desencante e se abra.
Descrente.
E minha xiaozhu se perca.
E ninguém nunca mais a ouça cantar.
Em lembranças,
Será minha eterna pérola do cantão.

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