domingo, 14 de outubro de 2012

Ego non in hoc familiae sum... sumne

Oh familia desgraçada
Há um enterro preparado atrás de cada olhar,
cada par de olhos que a tangem,
como atento, a qualquer movimento,
a qualquer novo indício do fim.
Há atrás de cada ouvido a espera da ligação fatal,
como no pensamento que resguarda e o pós planeja,
se planeja e fica em espera dos custos que virão.
Há por trás de cada toque a consciência limpa de que está fazendo tudo,
mas espera, já está na hora, temos de ir...
Assim como quando se veio,
o tempo fica a controle da minha vontade.
Não qualquer tempo, mas o tempo dedicado ao futuro moribundo.
Olhos que a tocam com olhar de lembranças,
como se têm por todos que se foram.
Conversas desperdiçadas no vão da família que já não é
e embora isso seja percebido, é negado porque negá-la é impensado.
"Só pode ser um vislumbre de insanidade pensar isso, não faz sentido!"
Mas estou satisfeito que estou fazendo tudo que posso,
o que me resta senão visitar duas horas, no mesmo horário, todo dia,
e arcar com os custos que lhe implicam a existência?
Curioso pensar que se se pode romper, descaradamente, vínculos familiares outros,
me sinto com menos pesar por futuramente romper os meus,
afinal, o que nos prende senão o passado, que não consegue ou conseguiu se perpetuar num presente,
e poucas esperanças há sobre o futuro, e um custeio,
que faz parte da dinâmica da vida superar-se?
Triste pelo elo de contato de tantas mesquindades,
que tantos olhos anseiam e até parecem desejá-lo
- não tardará em dizê-lo: " As vezes é melhor se ir do que passar por tudo isso!"
Do que QUEM passar por tudo isso? -
mas este, por tamanho sentido que seus congêneres lhes dão,
sentido em estarem ali, em ela estar e pior,
continuar estando...
Sem dúvida, o que mais mata não são doenças, mas más companhias,
pois estas alimentam aquelas...
Há aqueles que explodem em lástimas a cada novo espirro,
mesmo que o sistema respiratório esteja bem.
Há aqueles que predizem todo o devir, e numa inteligência símia,
sabe que isso tudo vai acontecer, quando, como, e onde....
aiai, pobres dos que ignoram tal verdade...
Se me criticam é porque não querem aceitar... pobres...
Há, de forma geral, os que tratam normalmente,
e isso há de ser o mínimo a se fazer,
na voz mental de um simples escritor,
e aqueles que se perdem por acreditarem o contrário,
e o problema é quando fazem outros acreditarem,
o problema é que penso que podem ter me feito já,
apenas penso...
Di me seruant familiae!