domingo, 30 de junho de 2013

Da insatisfação latente

Há uma inquietude em mim,
Dessas que não se esvai,
Dessas que não me deixa,
Dessas que não se extrai.

Uma insatisfação que se faz presente,
E que nem mesmo um passado recente,
Sabe dizer para onde se vai.

O desejo que não se realiza,
Mas que tanto enfatiza,
Que o querer não se desfaz.

Nas inconstâncias do acaso,
Ou no destino que não transpasso,
Num silêncio que não há paz.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O ato de revolver-se.

É simples. 
No fim, tudo isso é simples.
Não menos belo, mas pelo contrário.
Existem encantos em cada singelo olhar, 
Avermelhados, lacrimejantes, cansados.
Mas de um cansaço que não se rende, não finda.
Senão em ir e rearticular-se, 
e voltar;
E voltar.
Revoltar.
Lamentos mil afluem todos os dias sobre sua ausência,
como que de um amante que foi pro mar e tarda em retornar.
Retomar o que é seu por 'direito';
o que é seu por dever.
Como iniciei,
belezas tantas que deveras esquecidas foram atrás dos olhos meus,
tamanhas as bestialidades que se apresentam no devir.
E que olhos aprendem a ver;
a ser.
E eis que,
basta um simples toque de um estranho,
de um outro qualquer na aleatoriedade do povo encurralado,
encarcerado nas vielas da vivência,
mas livres nas ruas do centro;
de um contato,
corpóreo ou não,
mas preenchido de um carinho para com todos,
Um espécie de cuido;
uma aflição partilhada no gesticular, no dizer, no existir;
E tudo se inverte.
Os olhos, impulsionados ainda mais pela nuvem ardente,
pelas borrachas ascendentes,
viram-se em si próprios.
Vê-se como o outro.
Vê-se como todos.
Deixar de ser-se para assim vislumbrar-se pela primeira vez em tempos,
finalmente [hei de dizer],
sendo.
Não se pode compreender a existência sem vivenciar o outro como a si.
Não enquanto posse ou mera extensão social,
Mas do que lhe faz ser.
Do que lhe faz.
És.
Sem conjugação.